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miércoles, 26 de noviembre de 2025

O 25 de Abril que Novembro traiu

(El 25 de Abril que Noviembre traicionó)


Autor: Manuel Duran Clemente. Coordina: Maria Dulce Simões.

Editorial: Modocromia Edições, 2025. 228 páginas.

Manuel Duran Clemente es un Capitão de Abril que estuvo desde el primer momento del Movimento dos Capitães implicado en la lucha por conseguir acabar con las guerras coloniales, que ensangrentaron Portugal a lo largo de trece años (1961-1974), lograr la democracia tras casi medio siglo de cruel dictadura y avanzar en el desarrollo económico de una sociedad en la que la inmensa mayoría sufría carencias lacerantes.

Pero una vez conseguidos los dos primeros objetivos con la Revolução dos Cravos, su lucha no cejó, pues el último quedaba pendiente: el pueblo portugués seguía bajo el fantasma de la falta de recursos, lo que se iba paliando con una lucha popular -amparada por normas legales gubernamentales de unos Governos Provisórios de corte revolucionario-, que llevaba a la nacionalización de los principales medios de producción y servicios, así como a una colectivización de la propiedad agraria en los campos latifundistas del Sur, hasta entonces en manos de una minoría privilegiada.

Ese empeña de Duran Clemente, como de muchos de los Capitães de Abril más concienciados del Movimento das Forças Armadas (MFA), chocó con una amarga realidad.  Tras los meses transcurridos entre el 25 de Abril de 1974 (día del derrumbe fulminante del Régimen implantado por Oliveira Salazar y continuado por Marcelo Caetano) y el 25 de Novembro de 1975 (momento en que una “reconducción militar” enfrentó a los partidarios de profundizar en la Revolução y los que pretendían frenarla, e incluso anularla), los partidarios de esto último se alzarían con el triunfo y el poder, revisando y destruyendo las conquistas de los “meses de la Revolución”.

De facto, “a Revolução de Abril foi desvirtuada e pactuada a 25 de Novembro de 1975 pelos partidos da direita (PPD e CDS), com a conivência do Partido Socialista, com o Amém da Igreja Católica, com o consentimento da ala “moderada” e da mais conservadora das Forças Armadas, e o apoio incondicional de uma burguesia aterrorizada com as expropriações e nacionalizações”, escribe Manuel Duran Clemente en la página 185 de su libro O 25 de Abril que Novembro traiu, publicado ahora, a 50 años de aquellos lamentables acontecimientos.

El libro se divide en dieciséis capítulos a los que antecede un “Tributo a Varela Gomes” (otro militar revolucionario con el que Duran Clemente colaboró intensamente), un prefacio del profesor Rui Pereira, más un preámbulo. Acaba con un epílogo, un posfácio de la profesora Ana Sofia Ferreira y varios anexos documentales de gran valor y clarificación histórica. A lo largo de sus intensas páginas desgrana el autor -ahora coronel retirado- todo lo que fue el proceso revolucionario de los años 1974 y 1975, sus precedentes y consecuentes, la ilusión creada, las luchas llevadas a cabo, las dificultades de la conformación de una sociedad justa y solidaria, las divisiones internas en el seno de la sociedad y de los militares, su actuación arriesgada por mantener la línea de progreso y las penalidades sufridas por ello, exilio incluido.

Ana Sofia Ferreira dice en su exposición que “A revolução de 1974-76 constitui o processo de democratização português, um proceso feito por rutura, em que militares como Duran Clemente tiveram um papel fundamental, a lutar ao lado do povo português por um país mais livre, mais justo e igualitário”(pág. 205-206).

Manuel Duran Clemente, hoy día Grande Oficial da Ordem da Liberdade, intelectual, escritor y poeta, descendiente “rayano” (de ascendientes de España y Portugal) es un “vecino” generoso por cuanto hemos podido disfrutar de su presencia y testimonio en este lado de la “Raya”, y ya ha sido reseñado anteriormente en este medio. Y es un militar comprometido con el pueblo, fiel a aquella consigna celebrada en los años de la Revolución: “Povo-MFA”. Pueblo y Movimiento de las Fuerzas Armadas unidos por un mundo mejor.

MOISÉS CAYETANO ROSADO 

martes, 25 de noviembre de 2025

25 DE ABRIL, 11 DE MARÇO E 25 DE NOVEMBRO

Quero dar brevemente a minha opinião relativamente à celebração do 25 de Novembro de 1975, muito reivindicado agora pelos partidos portugueses e sectores mais à direita, quando em  2025 comemora-se os 50 anos do confronto político-militar interno:

- Enquanto o 25 de Abril de 1974 foi um movimento militar vitorioso contra a ditadura, o colonialismo, as terríveis guerras coloniais que sangravam a juventude portuguesa e arruinavam a economia nacional, mergulhando o povo na miséria, o 25 de Novembro de 1975 foi um confronto entre diferentes concepções do social, militar e o desenvolvimento económico da nação, redireccionando a situação de um modelo revolucionário popular para um modelo social-democrata ocidental.

- Enquanto o 25 de Abril conduziu a uma gloriosa comunhão Povo-MFA, o 25 de Novembro significou uma ruptura entre aqueles que tornaram possível o triunfo anterior.

- Enquanto o 25 de Abril conta com o consenso das forças democráticas que perdura até hoje (e é mesmo actualmente criticado pelos grupos mais reaccionários da política nacional), o 25 de Novembro tem o desejo ardente da direita e da extrema-direita de o equiparar ao primeiro .

Mesmo os militares moderados foram marginalizados nos seus destinos e carreiras pelos mais complacentes.

Recordo que Salgueiro Maia já indicara nas suas memórias, escrevendo 10 anos depois do 25 de Abril (disponível em o livro Capitão de Abril. Edit. Âncora Editores, 3ª edic., 2014. Pág. 117):

Criticar os muitos que pagam o idealismo e a generosidade dos Capitães de Abril como o mesmo comportamento que caracterizou o regime nascido em 28 de Maio:

- a corrução;

- a incompetência;

- o compadrio;

- o circo do Poder.

E o General Pezarat Correia, também militar moderado, que foi durante o período mais poderoso da Reforma Agrária (Verão de 1975) Governador Militar da região do Alentejo, escreveu na Revista “Vértice” em 1990 (depois reproduzido em seu livro Questionar Abril, de 1994 (Edit. Circulo de Leitores, pág. 118): Tal como os seus companheiros civis da generação de sessenta que hoje, na sociedade portuguesa, militam nas fileiras da oposição, enquanto os tecnocratas que passaram aqueles anos escladantes sem se chamuscarem povoam os corredores do poder, também os “capitães de Abril” vêm sendo progressivamente marginalizados na instituição militar, quando não mesmo perseguidos e ofendidos, pagando um preço elevado por terem ousado questionar e abalar as estructuras dominantes.

De outro lado, porque é que há esta insistência em celebrar o 25 de Novembro de uma forma comparável ao 25 de Abril e porque é que ninguém reivindica a celebração do 11 de Março de 1975 como uma data gloriosa em que foi abatida uma tentativa de involução golpista liderada pelo general Spínola (e pelo seu homem de confiança, comandante Alpoim Galvão), de quem Salgueiro Maia diz que fiquei com a impressão de que quem comandava era o comandante Alpoim Galvão (escrito nas suas memórias publicadas no Capitão de Abril, pág. 112)?

Salgueiro Maia opôs-se a esse Golpe de Estado, chegando mesmo a censurar directamente Spínola por isso, escrevendo no Capitão de Abril (págs. 112-113): Falámos com o General Spínola, a quem esclareci que a situação era insustentável. Fiquei com a impressão de que o general Spínola estava desconhecedor de muitas informações.

E Spínola fugiu de helicóptero para Espanha, aterrando na base aérea militar de Talavera la Real (Badajoz), de onde se exilou! Aliás, Salgueiro Maia esteve envolvido num mal-entendido da extrema-esquerda, que o acusou de ser spinolista, promovendo uma campanha contra “o fascista Salgueiro Maia” que culmina com um cerco à minha casa, escreve ele próprio ( Capitão de Abril. Pág. 113).

Creio que se desejam comemorar o 50º aniversário do 25 de Novembro de 1975, mais motivo há para comemorar o 50º aniversário do 11 de Março de 1975.

Moisés Cayetano Rosado 

jueves, 19 de septiembre de 2024

 25 DE ABRIL, 11 DE MARÇO E 25 DE NOVEMBRO

Quero dar brevemente a minha opinião relativamente à celebração do 25 de Novembro de 1974, muito reivindicado agora pelos partidos portugueses e sectores mais à direita, quando em  2025 comemora-se os 50 anos do confronto político-militar interno:

- Enquanto o 25 de Abril de 1974 foi um movimento militar vitorioso contra a ditadura, o colonialismo, as terríveis guerras coloniais que sangravam a juventude portuguesa e arruinavam a economia nacional, mergulhando o povo na miséria, o 25 de Novembro de 1975 foi um confronto entre diferentes concepções do social, militar e o desenvolvimento económico da nação, redireccionando a situação de um modelo revolucionário popular para um modelo social-democrata ocidental.

- Enquanto o 25 de Abril conduziu a uma gloriosa comunhão Povo-MFA, o 25 de Novembro significou uma ruptura entre aqueles que tornaram possível o triunfo anterior.

- Enquanto o 25 de Abril conta com o consenso das forças democráticas que perdura até hoje (e é mesmo actualmente criticado pelos grupos mais reaccionários da política nacional), o 25 de Novembro tem o desejo ardente da direita e da extrema-direita de o equiparar ao primeiro .

Mesmo os militares moderados foram marginalizados nos seus destinos e carreiras pelos mais complacentes.

Recordo que Salgueiro Maia já indicara nas suas memórias, escrevendo 10 anos depois do 25 de Abril (disponível em o livro Capitão de Abril. Edit. Âncora Editores, 3ª edic., 2014. Pág. 117):

Criticar os muitos que pagam o idealismo e a generosidade dos Capitães de Abril como o mesmo comportamento que caracterizou o regime nascido em 28 de Maio:

- a corrução;

- a incompetência;

- o compadrio;

- o circo do Poder.

E o General Pezarat Correia, também militar moderado, que foi durante o período mais poderoso da Reforma Agrária (Verão de 1975) Governador Militar da região do Alentejo, escreveu na Revista “Vértice” em 1990 (depois reproduzido em seu livro Questionar Abril, de 1994 (Edit. Circulo de Leitores, pág. 118): Tal como os seus companheiros civis da generação de sessenta que hoje, na sociedade portuguesa, militam nas fileiras da oposição, enquanto os tecnocratas que passaram aqueles anos escladantes sem se chamuscarem povoam os corredores do poder, também os “capitães de Abril” vêm sendo progressivamente marginalizados na instituição militar, quando não mesmo perseguidos e ofendidos, pagando um preço elevado por terem ousado questionar e abalar as estructuras dominantes.

De outro lado, porque é que há esta insistência em celebrar o 25 de Novembro de uma forma comparável ao 25 de Abril e porque é que ninguém reivindica a celebração do 11 de Março de 1975 como uma data gloriosa em que foi abatida uma tentativa de involução golpista liderada pelo general Spínola (e pelo seu homem de confiança, comandante Alpoim Galvão), de quem Salgueiro Maia diz que fiquei com a impressão de que quem comandava era o comandante Alpoim Galvão (escrito nas suas memórias publicadas no Capitão de Abril, pág. 112)?

Salgueiro Maia opôs-se a esse Golpe de Estado, chegando mesmo a censurar directamente Spínola por isso, escrevendo no Capitão de Abril (págs. 112-113): Falámos com o General Spínola, a quem esclareci que a situação era insustentável. Fiquei com a impressão de que o general Spínola estava desconhecedor de muitas informações.

E Spínola fugiu de helicóptero para Espanha, aterrando na base aérea militar de Talavera la Real (Badajoz), de onde se exilou! Aliás, Salgueiro Maia esteve envolvido num mal-entendido da extrema-esquerda, que o acusou de ser spinolista, promovendo uma campanha contra “o fascista Salgueiro Maia” que culmina com um cerco à minha casa, escreve ele próprio ( Capitão de Abril. Pág. 113).

Creio que se desejam comemorar o 50º aniversário do 25 de Novembro de 1975, mais motivo há para comemorar o 50º aniversário do 11 de Março de 1975.

 

Moisés Cayetano Rosado

domingo, 21 de abril de 2024

O Governo irá criar uma comissão para as comemorações nacionais dos 50 anos do 25 de Novembro, em 2025. O anúncio foi feito o dia 20 de abril pelo líder do CDS-PP, Nuno Melo, que é também ministro da Defesa, o qual afirmou que a decisão foi concertada com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, "no âmbito da Defesa e do Governo". "O 25 de Novembro foi um movimento militar que salvou a democracia em Portugal", afirmou.

Agora, quando estamos às vésperas do 50º aniversário do “25 de Abril”, é totalmente inapropriado. Todas as atenções devem estar voltadas para esta data: “25 de Abril”, e não desviadas para outra data.

Ainda que toda a sociedade portuguesa e os “Militares de Abril” estivessem de pleno acordo em celebrar o “25 de Novembro” como um aniversário comparável ao anterior, não seria o momento para “desviar as atenções”.

Mas acontece também que o 25 de Novembro de 1975 criou uma ruptura profunda e lamentável na
sociedade e no Exército; vários dos militares recentemente condecorados como “Grandes Oficiais da Ordem da Liberdade” foram presos ou tiveram que exilar-se após esta última data, devido à sua posição “revolucionária”, e ainda lá estão, defendendo as suas ideias.

É, portanto, inoportuno levantá-lo agora e contraproducente para a “limpeza” da comemoração do glorioso “25 de Abril”.