miércoles, 2 de noviembre de 2022

 

SFSEM FRONTEIRAS

1 DE NOVEMBRO DE 2022


Campo Maior acolhe apresentação do livro de Moisés Cayetano Rosado sobre Salgueiro Maia

SALGUERIO MAIA, DAS GUERRAS EM ÁFRICA À REVOLUÇÃO DOS CRAVOS


Moisés Cayetano Rosado regressa ao contacto dos leitores com a segunda edição do livro que publicou sobre Salgueiro Maia. Revista e aumentada a obra passou a integrar o catálogo do Plano Nacional de Leitura. Marcelo Rebelo de Sousa assina o prefácio e o posfácio é da lavra de Vasco Lourenço e de João Andrade da Silva.

O livro vai ser apresentado por Luis Silveirinha no próximo dia 5 de novembro no CIFA – Centro de Interpretação da Fortificação Abuluartada de Campo Maior com a presença do autor.

Para uma melhor compreensão dos objetivos e dos conteúdos do livro, Moisés Cayetano Rosado fornece um conjunto de elementos de elevada utilidade que permitem ao leitor antecipar o contacto com a publicação.

INTENCIONALIDADE.

A Edições Colibri publica o livro Salgueiro Maia. Das Guerras em África à Revolução dos Cravos, enquanto que a Fundação Caja Badajoz o faz com o título: Salgueiro Maia. De las Guerra en África a la Revoluãó dos Cravos y su evolución posterior, livro no qual trabalhei intensamente ao longo de 2020 e início de 2021, mas que tem como pano de fundo as minhas pesquisas sobre a “Revolução dos Cravos”, os seus antecedentes nas Guerras Coloniais de África e o desenvolvimento depois da Revolução, com as suas luzes e sombras.

Comecei a investigar há mais de duas décadas, entrevistando militares e civis envolvidos nos acontecimentos e pesquisando nos mais variados arquivos. Realizei pesquisas na vasta biblioteca dos principais jornais e em revistas, bem como no abundante acervo académico, memorial e bibliografia de ensaio.

Queria focar o estudo num personagem extraordinário. Alguém que foi um protagonista crucial do levantamento militar e das ações de 25 de abril, que esteve claramente envolvido nas terríveis lutas coloniais, que tivesse participado no tempestuoso processo de confrontos entre civis e militares em 1975, bem como a sua posterior evolução: Fernando Salgueiro Maia.

Este jovem militar tinha 29 anos quando chefiou a coluna que de Santarém se dirigiu a Lisboa na madrugada de 25 de abril e exemplarmente superou obstáculos até à rendição de Marcelo Caetano no Quartel da GNR. Falecido prematuramente, com apenas 47 anos, teve tempo de sofrer a decepção pela ingratidão dos seus superiores hierárquicos e o esquecimento dos políticos que, graças a jovens soldados como ele, subiram ao poder da Nação.

No verão de 2022 este meu livro foi incluído no Plano Nacional de Leitura de Portugal.


EIXOS FUNDAMENTAIS.

São três os eixos fundamentais deste trabalho

– Descrição do confronto bélico em Portugal de 1961 a 1974 antes da revolta dos movimentos de independência de Angola, Guiné-Bissau e Moçambique. Participação do Capitão Salgueiro Maia (alentejano nascido em Castelo de Vide a 1 de julho de 1944) nos cenários de Moçambique e da Guiné, onde -em meio ao sofrimento das tropas, emboscadas, mutilações, mortes e hostilidade ambiental- chega à consideração final que está “do lado errado da história”, visto que o processo de “retenção colonizadora” não faz sentido no momento histórico mundial de descolonização que foi vivido.

– Desenvolvimento de 25 de Abril de 1974, dia do golpe militar coordenado por jovens capitães contra a ditadura fascista e colonialista que se arrastou por meio século em Portugal. Salgueiro Maia comandou a coluna que de Santarém se dirigiu a Lisboa para derrubar o Governo, correspondendo ao papel histórico de subjugar as poderosas forças governamentais na Praça do Comerço, com uma coragem e domínio sóbrios; prender o ditador Marcelo Caetano no Quartel da GNR, executando-o com temperança, coragem e exemplaridade, depois de ter conseguido colocar a seu lado as forças que, enviadas pelo Governo para reprimi-lo, encontrou em outras partes da capital; facilitar o trabalho no Quartel do Carmo do General Spínola, que chegou para assumir o comando de Caetano, e ordenar a retirada das tropas sem nenhum revés.

– Os eventos subsecuentes da Revolução e, especialmente, a renovação democrática, que não fará justiça a este corajoso militar (como aconteceria com os jovens militares mais proeminentes que lideraram o golpe). Polêmico para alguns seriam suas atuações no golpe spinolista de “11 de março de 1975” e os confrontos de “25 de novembro de 1975” (como havia sido antes do “Golpe de Caldas de 16 de março de 1974”), mas que documental e testemunhalmente podemos demonstrar que eles estavam corretos.

Salgueiro Maia morreria no dia 4 de abril de 1992, após uma dolorosa enfermidade, desencantado com a evolução do processo e do tratamento recebido, o que o “aproxima” da frase que Simón Bolívar pronunciaria em 1830: “Quien sirve a la revolución ara en el mar”. Salgueiro Maia escreveu que gostaria que “Grândola, Vila Morena” fosse cantada no seu funeral, tendo confessado ao também “Capitão de Abril” Vasco Lourenço que assim o desejou porque figuras relevantes da política e dos militares compareceriam ao seu funeral, quem seriam forçados a cantá-lo ou pelo menos ter que ouvir-lo.



PROCESSO DE GUERRA E REVOLUCIONÁRIO.

Neste trabalho, procuro alternar a análise, comentário e reflexão crítica dos fatos, remontando ao final da Segunda Guerra Mundial e a posição das nações vitoriosas em relação ao colonialismo e seu necessário fim, para posteriormente descrever as agruras dos cenários de guerra, bem como os sacrifícios, massacres e mortes de ambos os lados do confronto. Aí, destacando o papel de sensibilização que adquirem os jovens oficiais, entre os quais se destaca o capitão alentejano de vinte e poucos anos na sua primeira missão africana.

Concentro-me nas lutas que decorreram entre 1961 e 1974 na Guiné, Angola e Moçambique, passando daí para o aprofundamento do desconforto dos capitães à frente dos seus soldados e suboficiais maltratados em plena selva, cheias de “minas antipessoal”, que causam numerosas e traumatizantes baixas. A partir daí, passei a analisar as reuniões destes militares em 1973 e nos primeiros meses de 1974 para realizar uma contundente ação contra o Governo (incluindo contactos com civis, especialmente no e após o “III Congresso da Oposição Democrática” de Aveiro de 4 a 8 de abril de 1973), levando à “Revolução do 25 de Abril de 1974”.

É emocionante ver como nesse dia de tensão, emoção e triunfo, os soldados são massivamente abraçados pelo povo, que os anima de forma eufórica, sendo a “cabeça visível” daqueles soldados na Baixa de Lisboa e na Praça do Carmo o Capitão Salgueiro Maia, cujas ações são detalhadas no livro.

Então virá um processo convulsivo, revolucionário por um lado, contra-revolucionário por outro, e nesses altos e baixos os mais ativos “Militares de Abril” não se sairá bem, em meio à inveja e ao medo de sua liderança. Assim, Salgueiro Maia será afastado de cargos operacionais e relegado a funções burocráticas e de “escritório”, o que pouco lhe atraiu, por ser um homem de ação. Sua morte prematura, de câncer, aos 47 anos, corta uma vida admirável.

Refleti também sobre o processo de nacionalização dos meios de produção, a reforma agrária e a importante Constituição de 1976, que nos anos seguintes sofrerá uma involução, rompendo com as esperanças depositadas durante o PREC (Processo Revolucionário em Curso), como a unidade dos protagonistas militares e civis da oposição à ditadura.

GESTAÇÃO DO LIVRO

A ideia de escrever este livro foi motivada pelo pedido que o Presidente da Fundação Caja Badajoz, Emilio Vázquez, me fez numa visita conjunta a Castelo de Vide, há pouco mais de um ano, e na qual falei com ele e um pequeno grupo de companheiros (em visita organizada pela Fundação) do corajoso militar. Com esta anedota, precisamente, começa o livro: em frente do túmulo de Castelo de Vide; aí é também encenado o final da publicação, em homenagem ao “Capitão de Abril”.

A edição portuguesa – em tradução do “Capitão de Abril” Carlos de Almada Contreiras- (simultaneamente a referida Fundação publicou-a na sua colecção de “Personagens Singulares”) é o resultado do entusiasmo com que o director das Edições Colibri, Fernando Mão de Ferro, recebeu o “manuscrito inicial”. Conseguiu que o prólogo fosse publicado pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. E que a edição traz a marca da editora juntamente com as importantes “Associação 25 de Abril”, que acolhe 90% dos militares vivos que participaram da Revolução (cujo presidente, coronel Vasco Lourenço, faz o posfácio),  e “Associação Salgueiro Maia” (também seu presidente, coronel Andrade da Silva, faz um posfácio), para além do apoio da Câmaras Municipais de Santarém (onde Salgueiro Maia estava destinado e de onde saiu para efectuar o Golpe Militar) e de Castelo de Vide (onde nasceu e está sepultado).

Conta ainda com um importante contributo fotográfico, em grande parte doado pelas duas associações nomeadas, pelo Coronel Vaso Lourenço e pela própria viúva do Salgueiro Maia, Natércia Maia. Alguns versos do poeta Manuel Alegre, de grande ressonância literária e política, também foram doados por seu autor para serem incluídos na publicação.



lunes, 10 de octubre de 2022

DOS POETAS ESENCIALES 


Rufino Félix Morillón es un poeta que pronto rozará la centena de años y ha ido desenvolviendo una obra compacta, llena de aciertos, sensibilidad, belleza, armonía en la composición, riqueza en la expresión, constituyéndose en el mejor poeta vivo que tenemos en Extremadura. Sus "despedidas" forman parte de lo mejor que se ha escrito en la literatura universal.

De él publiqué recientemente esta reseña sobre su Antología Poética, editada hace unos meses por la 
Fundación CB:



Gregorio González Perlado desciende en un cuarto de siglo el escalón del tiempo vivido, pero también su obra está absolutamente consolidada, manifestando una sensibilidad nostálgica deslumbrante, que hace de su verso permanente evocación, llena de musicalidad. No siendo extremeño, y viviendo ahora fuera de Extremadura, dio como periodista los mejores frutos culturales que hemos tenido en nuestra tierra.

También tengo la satisfacción de haber publicado -antes de ayer mismo- esta reseña sobre su última entrega poética ("Los escarpes de la edad"), recién editada por "Círculo Rojo".


Por mucho que yo diga, poco puedo indicar de la esencialidad de ambos poetas, tan queridos, tan amigos, de los que tanto aprendí y aprendo, y de los que tanto espero que todos podamos seguir aprendiendo. Léanlos en estas obras o en cualquier otra de sus extensas y acertadas producciones.

jueves, 15 de septiembre de 2022

 MEDALLAS DE EXTREMADURA

Un año más, el Consejo de Gobierno de la Junta Autonómica ha concedido las “Medallas de Extremadura”, que se entregan en la celebración del Día de la Región, del 8 de septiembre.

Teníamos la esperanza de que dos candidaturas bien justificadas salieran adelante. Una, la del matrimonio Ricardo Cabezas Carrasco  y Manoli Martín Sánchez, cuya labor solidaria en el barrio pacense del Gurugú y en el Centro Penitenciario de Badajoz es desde hace varias décadas un ejemplo de entrega solidaria, totalmente altruista y de una eficacia que causa admiración a cualquiera que se acerque a sus actuaciones. Jamás les roza el mínimo signo de desaliento, pese a lo difícil de su labor sostenida en el tiempo; sus clases, talleres, actuaciones folklóricas, visitas, gestiones para la comunidad y particulares necesitados, campamentos de verano para niños, comedores sociales, luchas vecinales, no conocen la fatiga. La Fundación Caja Badajoz había encabezado la solicitud, a la que muchos nos adherimos con entusiasmo. Por mi parte, hace más de cuarenta años que conozco su entrega, su ejemplaridad, y  me resulta difícil encontrar otra similar.

La otra, la del poeta emeritense Rufino Félix Morillón, que críticos de la talla del catedrático de las Universidades de Extremadura y luego de Salamanca, Ricardo Senabre, siempre consideró un poeta excepcional, cuyo valor artístico rebasa con creces nuestras fronteras. Un grupo de poetas, escritores, artistas, críticos literarios, municipios e instituciones avalábamos la propuesta del que considero uno de los mayores poetas que ha dado Extremadura en el siglo XX y lo que va del XXI. Activo aún, con más de noventa años, sus obras completas publicadas por el Ayuntamiento de Mérida en dos tomos de más de más de seiscientas páginas cada uno y la reciente antología de casi trescientas cincuenta páginas editada por la Fundación Caja Badajoz (y en la que he tenido el honor de participar) nos dan la muestra de un poeta sublime, de gran amor por su tierra, constante en su labor, mágico en el lenguaje, insuperable.

No ha podido ser y no es ahora ocasión de lamentarse, ni hacer comparaciones con los que sí han obtenido el galardón, pues las comparaciones suelen ser odiosas. Eso sí, no cabe quedarse en la frustración, y sí en redoblar fuerzas para volver otro año más, el próximo, con lo que son unas candidaturas oportunas y justas.

E incluso no estará demás llamar la atención del Presidente de la Junta (el cual ha presentado alguna de las candidaturas triunfantes a título particular) sobre estos dos casos y otros dos más,  igualmente dignos de obtener esa Medalla, y que contribuirán a dignificarla aún más.

Es el caso del municipio de Olivenza. Y no desde  luego porque sea el que “abre” cada año la temporada taurina en España, atrayendo a los mejores toreros y a miles de entusiastas, con lo que el nombre de la ciudad y de Extremadura adquieren protagonismo no solamente nacional sino internacional. Más bien, claro, por todos los valores que encierra, y que hacen una lista interminable, de la que destaco: ciudad de hermandad ibérica, donde los desencuentros del pasado van dando lugar a una creciente convivencia luso-española; municipio ejemplar en la conservación de la cultura heredada, expresada en el mantenimiento de la lengua portuguesa junto a la castellana; enclave excepcional del patrimonio histórico-monumental, que tiene en su muralla del tiempo de D. Dinis y su castillo y torre del homenaje uno de los ejemplos más señeros de las construcciones militares medievales, así como un patrimonio de fortificación abaluartada que es (dentro de las dificultades) de lo mejor conservado de Extremadura, y también un legado eclesiástico medieval, renacentista y barroco de valor excepcional, sin olvidar el urbanismo ejemplar de su Casco Histórico. ¡Una auténtica joya, en fin, de cultura, acercamiento de los pueblos, patrimonio monumental y urbano!

Y es el caso de la mencionada Fundación Caja Badajoz, cuya labor en pro de la cultura, el arte, el ocio, la solidaridad y la participación ciudadana cada vez es más completa, incesante, ejemplar y multiforme. La Fundación se ha convertido en la institución puntera en la edición de libros de creación, ensayo, investigación, arte y cultura de la región. Su dinamización cultural abarca todos los campos, desde las exposiciones artísticas de todo tipo, actuaciones musicales punteras, ciclos de debates, conferencias, charlas, recitales… La Residencia Universitaria de Badajoz (RUCAB) es un hervidero continuo de todo tipo de actividades, además de las universitarias, y sobre todo en verano, cuando tantos “cierran por vacaciones”: cine, galas artísticas, cursos de los más variados contenidos en sus piscinas y zonas verdes, para niños, jóvenes, mayores…, así como asistencia a personas dependientes. Actividades que en buena parte se extienden a otras localidades de la región, por no hablar de su afán de estar presente y contribuir a la rehabilitación y revitalización del Casco Histórico de Badajoz, entre otros, además de convenios variados con múltiples entidades. Cierto que es heredera de la Obra Social de Caja Badajoz, que ya fue en su día Medalla de Extremadura, pero una “extensión” de dicha Medalla a la nueva y/o renovada entidad podría tener cabida, dados sus ampliados objetivos, nuevo cariz de multiplicados contenidos y diferentes estrategias renovadoras de la acción socio-cultural.

Soy testigo de la calidad de estas dos candidaturas que planteo. La de Olivenza, principalmente, por mi participación como director y ponente en sus tres Jornadas de Fortificaciones, celebradas en los últimos años, que han acogido a participantes de ambos países, con especialistas de primera línea. La de la Fundación CB porque en sus distintas instalaciones he podido participar en diversos actos culturales, así como publicar varios libros y coordinar otros. Espero que otros más autorizados den fe de lo que aquí planteo y lo enriquezcan con su aporte, para reflexión de las autoridades regionales.

MOISÉS CAYETANO ROSADO

domingo, 11 de septiembre de 2022

 CENTENARIO DEL POETA LUIS ÁLVAREZ LENCERO


El 9 de agosto de 2023 se cumplen 100 años del nacimiento del poeta, pintor y escultor extremeño Luis Álvarez Lencero.

La Fundación Caja Badajoz proyecta la publicación de un libro de estudio, semblanza y homenaje al artista, como ya hiciera hace dos años por el centenario de Manuel Pacheco, y tengo la satisfacción de coordinar el trabajo. A lo largo de 2023 "pasearemos" el nombre y obra de Lencero por nuestra geografía.

Pero hay algo que quisiera indicar, porque deberían "recoger el guante" las instituciones:
Francisco López-Arza tiene el deseo de hacer una edición crítica de las obras completas de Luis Álvarez Lencero. Algo que ya hizo Antonio Viudas Camarasa sobre las de Manuel Pacheco, así como Antonio Salguero Carvajal sobre Jesús Delgado Valhondo, ambas bajo el sello de la Editora Regional de Extremadura.

Francisco López-Arza dedicó al poeta Álvarez Lencero su tesis doctoral y sigue trabajando sobre la figura de este tercer componente del “triángulo poético” más significativo de la literatura extremeña del siglo XX. Hasta ahora, sus gestiones para que se aborde la edición no han dado resultados y sería una lástima que esta “tercera figura” quedara atrás en cuanto a recoger toda su obra literaria.

Espero que entre todos podamos hacer alguna “fuerza” para culminar el objetivo de tener a los tres poetas unidos en la edición de sus obras completas, como unidos están en la escultura (hecha por Luis Martínez Giraldo) que en Badajoz los representa. 


Moisés Cayetano Rosado

sábado, 10 de septiembre de 2022

RECORDAR A FRANCISCO CANDEL
          Copio la correspondencia que he tenido estos días con María, hija del apreciado escritor Francisco Candel, que revolucionó en los años sesenta el conocimiento que se tenía (¡o no se tenía!) de los inmigrantes en Cataluña, con sus novelas, ensayos y artículos. Candel era en los años sesenta y setenta del siglo XX uno de los escritores más apreciados en Cataluña, con gran ascendiente y popularidad. ¿Es ahora recordado aún en esa tierra de promisión migratoria? Me da la impresión de que una capa de desentendimiento se extiende sobre su legado… Algo injusto, dada su trascendencia. La lucha de su hija María debe ser apoyada por los ciudadanos y las instituciones, para que la obra de tan extraordinario y a la vez sencillo autor no caiga en el olvido.

          Soy la hija y albacea literaria del escritor Francisco Candel. Me hallo inmersa en el proyecto de convertir la vivienda del autor en "casa de escritor". Para ello estoy concienciando a intelectuales e instituciones que puedan apoyar la propuesta. Valoré mucho tu trabajo sobre inmigración y la deferencia hacia las opiniones de mi padre, que te hicieses eco de su obra, quería agradecértelo y al mismo tiempo cualquier sugerencia respecto a la idea que te expongo será bien recibida. Y si no sencillamente comunicarla, que se haga extensible ya es de vital importancia. Un saludo. María Candel.

          Estimada Maria Candel: Me alegra mucho tu correo, y el proyecto que estás emprendiendo.Recuerdo mucho y muchas veces a tu padre. Lo conocí cuando yo tenía 19 o 20 años, en Barcelona. Dio una conferencia en el Ateneo barcelonés y asistí impresionado. Entonces me atreví a pedirle una entrevista, que me concedió con la amabilidad y sencillez con que siempre actuó. Recuerdo que fui a su casa, me regaló su libro "Los otros catalanes", que me dedicó; la entrevista se publicó en el periódico HOY de Extremadura por aquellas fechas. Luego nos volvimos a ver varias veces en una tertulia de los sábados por la mañana en el entorno de la Plaza de Cataluña. Después, en una ocasión, pasados muchos años, tuve el honor de compartir con él una charla sobre los movimientos migratorios en la Unión Extremeña de Sant Boi. Ahí te adjunto un fragmento de mi libro (actualmente en proceso de edición, por la Fundación Caja Badajoz) "Cincuenta años no es nada y veinte menos" (la suma de mi edad), donde evoco algunos detalles de los que te hablo. Le animo en su labor, y la difundiré en redes sociales. Me gustaría visitar "la casa del escritor" cuando esté abierta. Supongo que contendrá sus publicaciones, objetos de su trabajo y personales, referencias hemerográficas y bibliográficas, etc. Un cordial saludo. Moisés Cayetano.

          Apreciado Moisés: cuánto me han llegado tus palabras y los recuerdos que mencionas de mi padre. Me ha llenado el corazón todo lo que me dices. Me interesa mucho tu trayectoria y leeré el fragmento que me mandas, pero antes quería contestarte, darte las gracias. Lo de la casa aún tardará y si lo consigo, pero estás invitado a venir y a disponer del legado que represento. Te agradezco mucho lo que puedas hacer por divulgar la propuesta y espero que no perdamos la conexión, estoy encantada y ojalá surjan oportunidades para en un futuro ahora que nos hemos puesto en contacto. Te doy las gracias más sinceras por tu respuesta tan emotiva. Hasta siempre. María Candel.

          De nuevo muchas gracias a ti. Espero que no tardando mucho pueda ir a Barcelona y saludarte. He puesto la noticia en Facebook y son muchos los amigos españoles y portugueses a los que les ha interesado y recuerdan los libros de tu padre y su defensa de los inmigrantes, tan desamparados siempre. Seguiré divulgando. Cordialmente, Moisés.

          Moisés cómo me alegra eso que me dices, que la noticia se comunique y la reacción, que se recuerde a mi padre es para mí muy importante, así que gracias. Ojalá vengas a Barcelona y podamos conocernos. Será para mí un placer. Tus palabras hacia mi padre están llenas de emoción. Me anima mucho. Un saludo y hasta pronto. María Candel

viernes, 26 de agosto de 2022

BADAJOZ, AGOSTO DE 1936
Releo el librito editado por la Federación Socialista de Badajoz en 1997 Badajoz, agosto de 1936. Poco más de 100 páginas que merecen siempre una relectura reposada.

El que era Secretario General del PSOE, Francisco Fuentes, hace la introducción, explicando el contenido del volumen, motivado por haber encontrado en Madrid un folleto editado en diciembre de 1937 por la Federación provincial del PSOE de Badajoz titulado "El fascismo sobre Extremadura". Un relato realizado"sobre la marcha de los acontecimientos", publicado a principios de 1938, narrando las masacres que tuvieron lugar en la ciudad. La toma de Badajoz, la represión en esos días de mediados de agosto de 1936, los asesinatos, pillajes..., la colaboración de las autoridades portuguesas con la devolución de refugiados, la tristemente famosa actuación en la Plaza de Toros y en el Cementerio municipal, constituyen los distintos relatos, breves y sobrecogedores.

El historiador Justo Vila hace una breve explicación previa de los acontecimientos, matizando lo narrado y confirmando historiográficamente lo esencial de lo expuesto.

Y Luis Pla Ortiz de Urbina, hijo y sobrino de represaliados y asesinados por su adscripción republicana pone las notas finales, también precisando lo narrado y sobre todo haciendo dos emotivas reseñas: una "pública", subrayando los hechos principales acaecidos, y otra "particular", narrando los padecimientos que a su familia le tocó vivir, tan trágica y cruelmente.

 Me ha sobrecogido de nuevo todo el relato, pero especialmente la narración de Luis Pla, al que conocí y traté frecuentemente en los últimos años de su dilatada y siempre firmemente testimonial vida. Y lo que ahora me sobrecoge más es recordar a este entrañable personaje, que ha cargado con el peso de un recuerdo traumatizante toda su vida, pero que lo ha expuesto siempre con una serenidad extraordinaria, sin alterarse externamente nunca. Con su sonrisa incluso en las situaciones y discusiones más enconadas. Luis Pla fue un ejemplo siempre de persona admirable. Muchas veces discutí con él temas urbanísticos y de Protección Patrimonial de Inmuebles históricos (entre los que se encontraba su famoso "Garaje Pla", que en el Ayuntamiento teníamos clasificado con una fuerte protección que impedía su transformación y la más mínima modificación externa). Jamás se alteró, nunca mostró el mínimo gesto de contrariedad cuando le rebatía sus argumentos, ni en público ni en privado. Siempre cortés, atento, dialogante. Ahora, al releer este texto, no puedo por menos que recordar su ejemplo de ciudadanía inalterable... ¡con toda la carga histórica trágica que llevaba consigo!

MOISÉS CAYETANO ROSADO

viernes, 12 de agosto de 2022

LUCHA Y RESISTENCIA EN LAS MINAS DE ALJUSTREL
Moisés Cayetano Rosado

          De forma casual, accedo a la programación de actividades de la Agencia Nacional para la Cultura Científica y Tecnológica. En su programación de Ciencia Viva me inscribo en una visita a las minas de Aljustrel.

          El mismo día, mi buen amigo y director de Edições Colibri, Fernando Mão de Ferro, me ofrece la novela O Triunfo dos Valentes, de Mercedes Guerreiro, inspirada en la lucha y resistencia de los mineros de Aljustrel en el siglo XX. No conocía el penoso discurrir de la vida en esta población minera, aunque sí el de otras cercanas: las Minas de S. Domingos, del concelho de Mértola, que mucho me impresionaron en sus actuales restos arqueológicos, y sobre todo en su historia de explotación, padecimientos humanos, discriminación, segregaciones entre los propietarios y técnicos ingleses frente a los autóctonos, mantenidos bajo condiciones infrahumanas (https://moisescayetanorosado.blogspot.com/2018/06/la-mina-de-s.html).

          La novela de Mercedes Guerreiro es una auténtica joya literaria y documental, que nos mantiene en tensión a lo largo de sus 208 páginas. Y nos hace emocionarnos con su certera narración de la vida, sufrimientos, lucha y persecuciones por la cruel policía política del Régimen (la PIDE) de unos hombres y mujeres sencillos y valiente: no se doblegan ante la injusticia y llevan adelante sus reivindicaciones con evidente riesgo de su libertad, su integridad y su vida. Centrada en los años sesenta del siglo XX, se extiende hasta la Revolução del 25 de Abril de 1974, en que se pasa desde la oscura, cruel dictadura salazarista-caetanista, a la esperanza de la democracia que se abre con el Golpe de los jóvenes capitanes, levantados en pro de la democratización, descolonización y desenvolvimiento justos del país.

       Con este gozoso acontecimiento comienza y termina la obra, que tiene como protagonistas principales al joven minero Álvaro, su mujer, Catarina, y su familia de ascendientes y descendientes: representantes del pueblo sencillo. A lo largo de sus páginas vamos conociendo la vida durísima de los mineros, sin dejar de referir también las paupérrimas condiciones de los trabajadores del campo, de los operarios en general. El escaso salario, las condiciones miserables de vida, la falta de futuro y libertad. La difícil lucha por conseguir mejoras laborales, que es reprimida con sadismo por el Régimen, a través de la PIDE, con sus criminales esbirros, sus agentes policiales y sus confidentes (bufos), que hacen de las más brutales torturas el método de disuasión sistematizada.

        Álvaro, como tantos otros, padecerá la “tortura do sono”, la de la “estatua”, las palizas hasta quedar al borde de la muerte, bajo acusaciones de organización política clandestina, centradas siempre en el Partido Comunista -la gran obsesión de la dictadura-, dispuesta a exterminar sin contemplaciones cualquier atisbo de oposición, protesta o reivindicación popular. El destino final de los más perseguidos -como es su caso-, será el de la emigración “a salto”, saliendo clandestinamente hacia Europa Central (Francia y Bélgica sería los lugares preferentes, dada la demanda de mano de obra en aquellos años de “desarrollismo” industrial), en lo que coincidirán activistas políticos y jóvenes refractarios y desertores de las guerras coloniales de Angola, Guiné y Moçambique.

          A tanto sufrimiento en origen, tanta explotación laboral y persecución ante la mínima rebelión, se unirá el desamparo en los lugares de acogida, donde también serán objeto de pésimas condiciones laborales, unido a la añoranza por la separación de los seres más queridos y la tierra tan amada. Muchas escenas de la vida minera -centrales en la novela- me recuerdan los relatos del escritor chileno Baldomero Lillo (1867-1923), que describe con crudeza los padecimientos de las poblaciones sujetas a la tiranía de las compañías extranjeras, explotadoras de la riqueza carbonífera y metalúrgica de Chile, en la línea del realismo ruso y lo más conmovedor de Eça de Queiroz, Jorge Amado o Dickens. Espero, a principios de septiembre, visitar lo que queda de esas minas de Aljustrel, y presentir la sombra y la dolorosa huella de los que allí se dejaron la salud, la libertad, la vida, tratando de obtener el pan para los suyos, que tanto sufrimiento y sangre les costó. Y, como Pablo Neruda en su Canto General, diré: Mostradme vuestra sangre y vuestro surco, decidme: aquí fui castigado, porque la joya no brilló o la tierra no entregó a tiempo la piedra o el grano.

         ¡Pueblo sufrido de Aljustrel, de Alentejo, de Portugal, de todas las dictaduras y todos los crueles capitalismos insaciables del mundo: aquí, en esta palpitante novela, Mercedes Guerreiro nos muestra un valiosísimo testimonio de vuestros sacrificios, y también de vuestra lucha por la justicia, el pan, la libertad!