martes, 18 de mayo de 2021

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ARTIGO    /   POLÍTICA    /   SALGUEIRO MAIA - DAS GUERRAS EM ÁFRICA À REVOLUÇÃO DOS CRAVOS

Salgueiro Maia - Das guerras em África à Revolução dos Cravos

No cemitério de Castelo de Vide há um túmulo simples, bem iluminado pelo sol, de costas para o verde da Serra de S. Mamede: a sepultura do “Capitão de Abril” Fernando José Salgueiro Maia.

Por Moisés Cayetano Rosado (Historiador).

18 de Maio, 2021

Salgueiro Maia no Largo do Carmo em 25 de Abril de 1974.

No cemitério de Castelo de Vide há um túmulo simples, bem iluminado pelo sol, de costas para o verde da Serra de S. Mamede: a sepultura do “Capitão de Abril” Fernando José Salgueiro Maia, nascido nesta povoação do Alto Alentejo no dia 1 de Julho de 1944. Situado em “campa rasa”, como ele tinha escrito no 28 de Junho de 1989, quando já tinha conhecimento da sua doença irreversível, de um terrível cancro:

Determino - escreveria pelo seu punho e letra em papel de linhas - que desejo ser sepultado em Castelo de Vide, em campa rasa, e utilizar o caixão mais barato do mercado; o transporte do mesmo deve fazer-se pelo meio mais económico de preferência em viatura militar. Durante o funeral somente a presença dos amigos a quem peço para entoarem ‘Grândola Vila Morena’ e ‘Marcha do M.F.A.’.

Santarém, 28 de junho de 1989. O declarante Salgueiro Maia”

Testamento de Salgueiro Maia.

O também Capitão de Abril e seu amigo Vasco Lourenço declarou que Salgueiro Maia lhe tinha confessado nesse mesmo ano: “Vou pedir para se cantar no meu funeral ‘Grândola, Vila Morena’ porque haverá muitos indivíduos que oportunistamente vão querer ficar na fotografia do meu funeral e eu vou forçá-los a cantar ou pelo menos ouvir cantar ‘Grândola, Vila Morena’”. Quando sua mulher comunicou o fatal desenlace, estando de visita oficial em Jerusalém, ela diria: “Eu sei, eu sei, porque ele me dissei.

Túmulo de Salgueiro Maia em Castelo de Vide.

Fernando Salgueiro Maia entrou na Academia Militar, em Lisboa, no dia 6 de Outubro de 1964, com 20 anos de idade, quando já estava declarada a guerra nos três cenários coloniais: Angola (1961), Guiné (1963) e Moçambique (1964). Passa para a Escola Prática de Cavalaria (EPC), em Santarém, para continuar a sua formação. Dois anos depois parte para o norte de Moçambique. “Crê sinceramente - escreve Sousa Duarte - que as causas pela qual se batem as tropas portuguesas ‘são justas’ e o isolamento ‘uma consequência da inveja, da Guerra Fria e... outros interesses económicos das grandes potências’ ii.

Mas, quando já leva nove meses na que era a sua primeira comissão de serviço, já está consciente da dura realidade. “O ambiente que se vivia em Mueda (noroeste de Moçambique) era inesquecível: a toda a hora do dia chegavam de avião feridos graves ou mortos; as amputações de membros eram diárias, as emboscadas nos itinerários de acesso e os ataques aos aquartelamentos da zona uma constante”, escreve nas suas memóriasiii.

Compreendendo que está do lado errado, participa com responsabilidade do Movimento dos Capitães e da Revolução de Abril de 1974. E reconhece o próprio Otelo que “Salgueiro Maia iria a ser o comandante de força do Movimento mais sujeito a situações de perigo e de tensão ao longo do dia 25 [...] e que farão concentrar sobre ele e as forças da EPC as preocupações do posto de comando e as atenções e o carinho das massas populares que, a partir do Terreiro do Paço, não mais deixarão de o acompanhar e aos seus homens, guindando desde logo o jovem capitão às culminâncias de primeira estrela do MFA vitoriosoiv.

Salgueiro Maia no Largo do Carmo em 25 de Abril de 1974.

A sua gloriosa participação no Golpe militar será mais tarde injustamente manchada. O tempestuoso 25 de Novembro de 1975 terá consequências negativas para Salgueiro Maia. E, se em 11 de Março foi acusado de apoiar os spinolistas no seu fracassado Golpe, agora as suspeitas serão de falta de celeridade na participação contra as forças de esquerdav.

Essa situação desconfortável vai durar no tempo, espalhando-se para a hierarquia militar e representantes políticos. Em 1988, em entrevista concedida a Fernando Assis Pacheco, confessava-lhe: “Deploro que tendo nós realizado um acto ímpar - pela primeira vez na História da Humanidade uma força militar realiza uma acção de destruição de um poder sem se apropriar desse poder -, isto que em todos os países é relevante, passa aqui pura e simplesmente despercebido, ou então, ao contrário, serve de base para sermos marginalizados, quando não tratados como traidores à Pátria”. E, por isso, já não ia às sessões oficiais das comemorações do 25 de Abril, “porque muitas vezes o que se ouve é assim um esquema do ‘Vamos contar Mentiras’ que não me deixa muito bem dispostovi.

Em 1989 começa a sentir-se mal. Não há remédio para o cancro que sofre, falecendo a 4 de abril de 1992. O nosso ilustre capitão bem poderia ter dito o que o seu amigo e ex-Presidente da Câmara de Castelo de Vide, Carolino Tapadejo, escreve sobre si próprio no volume “Memórias e Vivências de Paixão”: “Tinha feito uma reflexão sobre quem poderiam ser os seus inimigos e, no final, tinha ficado radiante, pois entre os que conseguira identificar, não havia nenhum honesto!vii.

(excerto do livro do autor, “Salgueiro Maia - das Guerras de África à Revolução dos Cravos”, recentemente editado em Portugal e em Espanha, com o título “Salgueiro Maia – de las Guerras en África a la Revolución de los Claveles y su Evolución Posterior”)

 

i Em https://expresso.pt/sociedade/2019-04-04-O-capitao-que-quase-enganou-a-tristeza(link is external).

ii SOUSA DUARTE, António de, Salgueiro Maia. Um homem da liberdade. Âncora Editora. Lisboa, 2014, (12ª edição), pág. 41.

iii SALGUEIRO MAIA, Fernando, Capitão de Abril, Âncora Editora. Lisboa, 2014 (3ª ed.), pág. 16.

ivSARAIVA DE CARVALHO, Otelo, Alvorada em Abril, Livraria Bertrand, Lisboa, 1977, pág. 424.

v CRUZEIRO, Maria Manuela, Vasco Lourenço. Do interior da Revolução. Âncora Editora, Lisboa, 2009, pág. 545.

vi SALGUEIRO MAIA, Fernando, obra citada, págs. 216-217.

vii TAPADEJO, Carolino, O Menino Órfão, em MÃO DE FERRO, Fernando, Memórias e Vivências de Paixão, Edições Colibri, Lisboa, 2020.

lunes, 17 de mayo de 2021

 ARTIGO    /   CULTURA    /   LIVRO SOBRE SALGUEIRO MAIA PUBLICADO EM PORTUGAL E ESPANHA

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Livro sobre Salgueiro Maia publicado em Portugal e Espanha

Foi recentemente lançado o livro “Salgueiro Maia – das Guerras em África à Revolução dos Cravos”, em Espanha com o título “Salgueiro Maia – de las Guerras en África a la Revolución de los Claveles y su Evolución Posterior”, do historiador espanhol Moisés Cayetano Rosado.

16 de Maio, 2021 - 


Imagem parcial da capa do livro “Salgueiro Maia – das Guerras em África à Revolução dos Cravos”, do historiador espanhol Moisés Cayetano Rosado.

O livro foi publicado em espanhol, pela Fundação Caja Badajoz, e em português, pelas Edições Colibri. Tem um prefácio do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e tradução de um dos Capitães de Abril (capitão do mar e guerra Almada Contreiras). É coeditado pela Associação 25 de Abril e pela Associação Salgueiro Maia.

Moisés Cayetano Rosado é um historiador, interventivo e corajoso, na busca da verdade histórica e da defesa e salvaguarda da cultura do seu país, mas também apaixonado pelo seu país vizinho – Portugal – participando na organização de inúmeros eventos literários e culturais.

Nasceu em La Roca de la Sierra (Badajoz, Espanha), em 1951. É licenciado em Filosofia e Ciências da Educação e doutorado em Geografia e História. Publicou vários livros sobre diversos aspetos da vida raiana e temas históricos e sociais da realidade dos dois lados da fronteira. Dirige a revista “O Pelourinho”, dedicada a temas comuns entre os dois países.

Segundo o autor, este seu mais recente livro resulta “de um ano de intenso esforço, pesquisando em arquivos, documentos, documentários, jornais, publicações memoriais, narrativas, investigações, entrevistas pessoais, contactos de todos os tipos e uma ajuda muito generosa de amigos, conhecidos, pessoas comprometidas com a causa que venho aprofundando, e em que, de forma mais ou menos ‘obsessiva’, venho trabalhando há não menos de 25 anos”.

Moisés Cayetano Rosado

Para Moisés Cayetano Rosado, Salgueiro Maia foi um “homem excecional com o qual todos temos que aprender”, e o seu trabalho também pretende ser mais uma "homenagem a quem tanto devemos pela sua ação e exemplo”.

Segundo o autor, “de 1961 a 1974, Portugal enfrentou os movimentos de independência de Angola, Guiné e Moçambique, com a participação do Capitão Salgueiro Maia nos cenários de guerra de Moçambique e Guiné, constatando, no final, que está do lado errado da história. Em 25 de abril de 1974, Salgueiro Maia comandou a coluna que partia de Santarém para Lisboa, para derrubar o Governo, correspondendo ao papel histórico de prender o ditador Marcelo Caetano, que o cumpriu com temperança, coragem e exemplaridade. O posterior desenvolvimento da Revolução e, principalmente, a renovação democrática não farão justiça a este corajoso militar, que faleceu em 4 de abril de 1992, após uma dolorosa enfermidade, desencantado com a evolução do processo e com o tratamento que recebeu”.

jueves, 13 de mayo de 2021

 SERTÓRIO. NARRACIÓN DE UNA LUCHA SOSTENIDA.


Acabo de leer una novela breve, intensa, emotiva y sorprendente, ofrecida por mi buen amigo y director de Edições Colibri, Fernando Mão de Ferro. Una contribución más de esta editora ejemplar para el conocimiento del reciente pasado en una tierra tan maltratada por sus verdugos-dirigentes, Portugal, y más en concreto la dura planicie alentejana, de grandes latifundistas poseedores de todo y masas populares faltas siempre de pan y de justicia.

Prologada por la historiadora de Montemor-O-Novo Teresa Fonseca, tan rigurosa y comprometida siempre, la narración de su paisano João Luís Nabo es una obra para leer y meditar. Para reconfortarse en la buena literatura, trabajada con acierto y maestría, pero también para revolverse en los infiernos de la brutalidad humana, de la violencia institucional servida por sicarios sin escrúpulos, capaces de las torturas más infames contra un pueblo que solamente pide pan y libertad.

En sus 192 páginas vamos recomponiendo un puzle de acontecimientos en que las fechas retroceden y avanzan bajo una decisión del autor por irnos confrontando entre el pasado y sus condicionamientos y consecuencias para el presente, como ejercicio memorialístico, introspectivo.

Precisamente comienza la historia narrada por su desenlace, a finales de 2019, alternando a lo largo de sus veinticinco capítulos fechas cruciales para los protagonistas: los años cincuenta -tan durísimos en la represión política contra el pueblo en general y contra el campesinado sin tierras en particular, con una GNR (Guardia Nacional Republicana) y una PIDE (Policía Internacional y de Defensa del Estado) de una violencia aterradora-; los años setenta -hasta el momento de la Revolução dos Cravos-, en que una nueva generación de activistas, hijos de los anteriores campesinos martirizados, se verán envueltos en las mismas represiones y torturas, y ya al final una actualidad de nuevo en que los fantasmas del pasado persiguen a los protagonistas hasta su muerte, natural o por suicidio remordido, como es el caso de “Sertório”, víctima y verdugo de estos tiempos tenebrosos.

La acción se desenvuelve entre “Vila Nova” (nombre ficticio que corresponde a la ciudad de Montemor-O-Novo, una de las poblaciones más luchadoras contra el fascismo, destacadísima en la lucha campesina siempre y en la Reforma Agraria que trajo consigo la Revolução dos Cravos) y las prisiones políticas de Lisboa y Peniche, donde se desarrollarán las vejaciones más ignominiosas y bestiales que uno pueda concebir.

João Luís Nabo nos mantiene en todo momento en tensión, en vilo, sin descubrir completamente el sentido exacto de la trama hasta el instante final. Y aunque nos muestra momentos ligeros de dulzura en las familias campesinas que luchan por su sustento, no escatima descripciones de un desgarrador realismo cuando nos narra las torturas de la PIDE para con los “comunas” (militantes o simpatizantes del Partido Comunista, la más firme organización antisalazarista, u otros opositores a los que los servicios del Régimen los toman por tales).

Con una templanza y serenidad admirables, el autor nos va metiendo en los personajes y situaciones hasta parecernos protagonistas de las mismas, haciéndonos sentir el sufrimiento de este pueblo sencillo y luchador como propio. Y aunque late en algunos momentos la esperanza del cambio traído por la revuelta de los jóvenes “Militares de Abril” contra la dictadura, los traumas arrastrados persistirán en los protagonistas hasta su propia muerte.

No estamos, por tanto, ante un libro evasivo o relajante, aunque sí lo es desde el punto de vista literario, por la calidad con que está escrito. Estamos realmente ante una obra testimonial, inquietante, con pocas concesiones al desahogo y muchas llamadas a la reflexión, a la revuelta por tantas injusticias, por tantos atropellos, por tanto sufrimiento de una gente honrada y luchadora que, pretendiendo vivir dignamente de su trabajo, encuentra la bota de la opresión que les tortura y mata para evitar la mínima reacción de protesta y libertad.

MOISÉS CAYETANO ROSADO

miércoles, 12 de mayo de 2021

FRANCISCO LEBRATO FUENTES. MEMORIAS DE UN LEGO (…Y ALGUNAS DESMEMORIAS) 

Autora: Piedad González-Castell Zoydo.

Edita: Fundación Caja Badajoz, 2021. 213 páginas.


La Fundación Caja Badajoz, entre su infinidad de actividades y múltiples publicaciones, tiene una colección verdaderamente admirable: “Personajes singulares”, donde rescata y homenajea a personas del entorno extremeño (e incluso transfronterizo), con notable acierto.

Así ocurre con una entrañable y singular biografía que la escritora Piedad González-Castell Zoydo realiza del polifacético escritor y artista de Oliva de la Frontera, universal en su obra y actividades, Francisco Lebrato Fuentes: personaje central de la cultura extremeña en buena parte de la segunda mitad del siglo XX y principios del XXI, fallecido en el verano de 2020.

Piedad González-Castell no realiza una biografía al uso, lineal, cronológica y aséptica, sino circular, temática y apasionada. No en vano protagonizaron juntos actividades culturales, poéticas, por los más diversos puntos de la geografía extremeña (fundamentalmente en los años setenta y ochenta del pasado siglo), siendo además asidua de sus tertulias -tanto en la casa de Lebrato como en otros lugares públicos- a los que ambos han sido tan aficionados. Y también ha sido mucha la relación mantenida en los actos de la Obra Cultural de la Caja de Badajoz, donde Lebrato era encargado profesional y enamorado vocacional, y en los que Piedad era una incondicional colaboradora.

Así, estamos ante una obra en que biógrafa y biografiado tienen una comunión fraternal, que la hace más emotiva, sin por ello restar rigor, al tiempo que viene engalanada por una notable calidad literaria, envuelta en estilo coloquial, muy directo y ameno.

La autora, durante mucho tiempo, recogió grabadas las conversaciones que mantuvo con el personaje, bajo el confesado propósito de escribir estas memorias, y con sabiduría va mezclando las declaraciones de Lebrato desde un remoto pasado juvenil en su pueblo de origen hasta sus encuentros finales en 2004. Y en esas visitas irá desgranando los recuerdos, haciendo narración de los mismos y de los propios encuentros, con una soltura que le da frescor y liman las rigideces formales de una estricta biografía.

El libro se divide en quince apartados, alternándose el transcurso vital de Francisco Lebrato con el desarrollo de su obra creativa (pictórica y literaria) junto a su actividad de promotor cultural, tertuliano infatigable, observador de paisajes y personajes, cultivador de amistades destacadas y animador e impulsor de proyectos.

Subraya la biógrafa de entre estos últimos su concepción de la “Generación del 75”, con la que denominó y sostuvo las actividades de un numeroso grupo de poetas de las más diversas edades (desde los consagrados Manuel Pacheco y Jesús Delgado Valhondo -que ya pasaba cada uno de los cincuenta años de edad-, hasta un gran número de jóvenes “promesas” en la veintena de su edad, buena parte de ello escritores destacados más adelante). Fue un tiempo, aquel de los años setenta (sobre todo el “75”, y de ahí el nombre) y ochenta, de frecuentes recitales por pueblos y ciudades, por los más diversos escenarios, en que Lebrato tuvo papel de protagonista y activista de primer orden.

También se detiene insistentemente Piedad González-Castell en numerosos personajes que Lebrato trató en su vida, a muchos de los cuales conoció y con los que intimó en diversas tertulias madrileñas, así como también consiguió traerlos para conferenciar en actos organizados desde la Obra Cultural de la Caja Badajoz. ¡Qué bien destaca Piedad la generosidad e intimidad de Lebrato al hablar de las prolongadas tertulias que mantenía con ellos en su propia casa, a donde los solía llevar tras los actos culturales, ofreciéndoles unas siempre alabadas cenas que preparaba su mujer!

El libro, además de conformar una acertada visión artística, literaria, de este hombre culto, humanista, delicado, fino observador, dialogante y tolerante, constituye una fuente esencial para conocer el desenvolvimiento cultural del último medio siglo que nos antecede, tanto en ese “rompeolas de todas las Españas” que era Madrid, como en Extremadura, y especialmente la provincia de Badajoz.

Buena contribución la de esta nueva publicación de la Fundación Caja Badajoz para valorar y valorizar la aportación de personajes esenciales en nuestra historia reciente, con un componente firme de ejemplaridad.

MOISÉS CAYETANO ROSADO


miércoles, 21 de abril de 2021

“SALGUEIRO MAIA – DAS GUERRAS EM ÁFRICA À REVOLUÇÃO DOS CRAVOS”

“SALGUEIRO MAIA, DE LAS GUERRAS EN ÁFRICA A LA REVOLUCIÓN DE LOS CLAVELES Y SU EVOLUCIÓN POSTERIOR”

Salen a la luz simultáneamente las ediciones en castellano (por la Fundación Caja Badajoz) y en portugués (por Edições Colibri, en co-edição con Associação 25 de Abril y Associação Salgueiro Maia) del libro sobre las Guerras portuguesas en África y la Revolução dos Cravos, con el hilo conductor de Salgueiro Maia, personaje central del proceso. Y salen en vísperas de la conmemoración del 47 aniversario del “25 de Abril”.

En la tarea de conformar el libro he contado con muchas ayudas, apoyos, sugerencias y colaboraciones de todo tipo, documentales, testimoniales, bibliográficas, hemerográficas, etc. de civiles y militares, de Portugal y también de España, lo que agradezco profundamente. Y espero que con ello contribuya a entender mejor el proceso y este admirable “Capitão de Abril” que tan presente continua en nuestra memoria.

De la presentación en Badajoz, el 20 de Abril de 2021
 

Sinopsis:

Desde 1961 a 1974, Portugal se enfrenta a la sublevación de movimientos independentistas en Angola, Guiné y Mozambique, participando el Capitão Salgueiro Maia (nacido el Castelo de Vide el 1 de julio de 1944) en los escenarios bélicos de Mozambique y Guiné, con el convencimiento final de que está “do lado errado da história”.

El 25 de Abril de 1974 comanda Salgueiro Maia la columna que desde Santarém se dirige a Lisboa, para derrocar al Gobierno, correspondiéndole el papel histórico de prender al dictador Marcelo Caetano, que ejecuta con templanza, arrojo y ejemplaridad.

El desenvolvimiento posterior de la Revolução y en especial la reconducción democrática no le harán justicia a este militar valeroso, que muere el 4 de abril de 1992, tras penosa enfermedad, desencantado de la evolución del proceso y del trato recibido.

 

Do prefácio de Sua Excelência, o Presidente da República, Prof. Doutor Marcelo Rebelo de Sousa. (Edição portuguesa)


 
“Foi há quarenta e dois anos! ¶ Um homem em cima de uma Chaimite. Que interpela o poder que está a cair, enquanto o novo poder tarda em chegar. ¶ Simples. Sem ambições de mando ou de glória. ¶ Que ali está porque sente dever cumprir aquela missão militar, que é também e acima de tudo cívica. ¶ Que não pensa um segundo sequer no simbolismo daquela presença, nem no significado histórico daquele momento. ¶ Que, terminada a missão, regressa ao quartel, para voltar a ser o que era. Com a naturalidade de quem não reclama louros, nem aspira a celebridade. ¶ À sua maneira, Salgueiro Maia deu expressão a um povo e a uma maneira de ser e de viver ao longo dos séculos. (…) ¶ Salgueiro Maia foi o retrato desse povo, que é o que Portugal tem de melhor. (…) ¶ Foi esse povo que fez Portugal. E, nele, os soldados de Portugal. Sem ele e eles os chefes mais ilustres não teriam triunfado, os políticos mais brilhantes não teriam vencido, os empreendedores mais visionários não teriam criado.”

Índice:

PREFÁCIO DE SUA EXCELÊNCIA O PRESIDENTE DA REPÚBLICA
Nota do Editor
MOTIVAÇÃO. VIAGEM A CASTELO DE VIDE

TRAGÉDIA. TREZE ANOS DE GUERRAS COLONIAIS.
O processo descolonizador.
Os sucessivos massacres e os contratempos iniciais.
A UPA marca o início sistematizado.
Revés na Índia.
Generalização das guerras em África.
Recrutamento para as guerras.
Os custos humanos das guerras.
Despesas com a Defesa e com o Estado.
O desencanto e mentalização dos militares.
Salgueiro Maia nas colónias de África.

REVOLUÇÃO. REVOLUÇÃO DOS CRAVOS.
Marcos para uma rebelião militar.
A Revolução em marcha. Protagonismo inesperado de Salgueiro Maia.
Do 25 de Abril de 1974 ao 11 de Março de 1975.
Salgueiro Maia posto em causa.

FOTOGRAFIAS

DESENCONTROS. ENTRE O 11 DE MARÇO E O 25 DE NOVEMBRO
O Processo Revolucionário em Curso – PREC.
Salgueiro Maia, de novo, visado.
A Constituição da República.
Últimas ofensas.

EPÍLOGO.

SIGLAS.

FONTES, BIBLIOGRAFIA E LIGAÇÕES.

jueves, 8 de abril de 2021

EN VÍSPERAS DEL 25 DE ABRIL

Se acerca el 25 de Abril. El 47º aniversario de la Revolução dos Cravos.

Buen momento para recordar uno de los acontecimientos más singulares de la Historia Universal Contemporánea. El cambio radical de destino de un país sometido a la guerra y las penurias. El levantamiento de unos jóvenes “Capitães” contra la dictadura Salazarista-Caetanista, para implantar la Democratización-Descolonización-Desenvolvimiento nacional.

Mucho hay escrito y filmado sobre las causas, desarrollo y consecuencias de la Revolução dos Cravos. Mucho lo que se ha publicado y se seguirá publicando.

Estamos próximos al medio siglo de los acontecimientos centrales y hay que seguir reflexionando con serenidad, firmeza y rigor.

Quiero, ahora, llamar la atención sobre una editorial que en esta tarea está realizando una labor esencial, admirable: Edições Colibri. Su catálogo en general, y en estos aspectos en particular, es excepcional. ¡Inabarcable!

Hace mucho que para mí es una “fuente bibliográfica” de referencia. Que adquiero y leo sus publicaciones. En la Feria del Libro de Lisboa de junio del pasado año fue un gozo revisar sus libros, tocarlos, adquirirlos. También lo he hecho en algunas de sus presentaciones públicas. Recuerdo la ilusión que tenía el año pasado por asistir en Lisboa a la de Os sonhos da Revolução dos Cravos, de Maria José Maurício, que se suspendió por la pandemia… Espero que no se tarde en recobrar la normalidad, y volvamos a reencontrarnos. En tanto, ahí está su catálogo, esas publicaciones, que de continuo se renuevan. ¡Que cunda su ejemplo!

Moisés Cayetano Rosado

sábado, 3 de abril de 2021

 SALGUEIRO MAIA, 29 AÑOS

Hace hoy 29 años que murió el "Capitão de Abril", teniente coronel Fernando Salgueiro Maia. Los mismos años que tenía cuando participó triunfantemente, con arrojo, sabiduría y templanza, en el derrocamiento de la dictadura en Portugal. Ahora tendría 76 años y disfrutaríamos de un hombre honrado, amante de su Patria, de su familia, de su trabajo, del Patrimonio Monumental de Portugal, de la Paz y la Justicia, de la Humanidad; ¡terrible pérdida!, aunque el recuerdo nos consuela.

No fue bien tratado por "la superioridad" tras sus hazañas en Ultramar y la Revolução. Pero supo mantener la dignidad en la línea heroica de todos sus actos. Se fue de este mundo con esa amargura, pero también con la tranquilidad de una conciencia limpia. ¡Honor a esta figura aleccionadora y ejemplar!